Este texto foi escrito há mais de 3 anos atrás (09-03-2003). Achei interessante po-lo aqui; já o tinha colocado no depoisfalamos.wordpress.com, mas como o conceito do blog mudou um pouco, remeto o texto para este. Espero que gostem

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Por vezes é difícil definirmos aquilo que sentimos. Será amizade ou será amor? Por vezes não conseguimos exteriorizar os nossos sentimentos. Será amor ou amizade? Por vezes não conseguimos olhar para ela. Será amizade ou será amor? Por vezes não conseguimos falar com ela. Será amizade ou será amor? Por vezes não conseguimos! Simplesmente não conseguimos. È difícil de explicar aquilo que se sente se não se tem a certeza disso mesmo. É difícil interpretar estes sintomas, se a maior parte do tempo, não os temos, não os conhecemos. Não sei até que ponto a “timidez” significa amor, mas uma coisa é certa, amor não significa timidez!

Conheço-me tão bem que não sei o que sou nem aquilo que penso. Serei assim tão ignorante? Penso que sim, mesmo que por vezes me entenda mesmo que não entenda aquilo que me rodeia. Aquilo que sinto torna-se impossível de transpor! Não consigo vencer este jogo, jogado apenas por mim, que se torna mais competitivo a cada momento que passa, a cada facto novo que se junta, a cada letra que escrevo, a cada palavra em que penso. Mas tudo isto para quê? Para dizer que não sei o que sinto realmente em relação a ela!

Conheço-a tão bem! Estou com ela todos os dias, e a cada dia que passa parece que a perco cada vez mais, parece que a vejo cada vez mais longe! Parece-me tão incerta, tão autónoma! Perdi total controlo em mim, e nela. Por vezes trocamos sorrisos, por vezes discutimos, por vezes nem sequer falamos, mas estamos sempre juntos. Mesmo que por vezes não pareça, nunca me separo dela, ela nunca me deixa, ela, mesmo sendo independente, precisa de mim para sobreviver.
Ela…a minha vida! Já não sei o que pensar dela! Está a tornar-se só e eu também. Acho que me estou a afundar, penso que não me consigo manter aqui. Acabarei por sucumbir nesta vida sem vida! Ela sem mim e eu sem ela, somos apenas mais duas metades separadas que acabaram por se juntar, mais uma vez!

Quando não sei, mas a certeza que nos iremos juntar novamente, está presente em todos os meus sonhos, em todas as minhas realidades, em mim. A certeza incerta de que um dia tudo será perfeito, a incerteza de que um dia o Mundo irá vibrar com o fim desta batalha desigual entre mim e ela. O vencedor… seremos os dois! Iremos sair juntos e festejar esta vitória ganha sem que haja derrotados a clamar por vingança, pelo menos assim espero.

Digo isto porque, por vezes, respirar por ela pode ser sufocante… Por vezes olhar para ela deixa-me cego… Por vezes ela deixa-me sem ela.

E aqui estou eu, sozinho, à espera da dela, da vida. Só espero que ela chegue, espero que não esteja à espera, como eu! Assim nunca mais nos uniremos. Mergulharemos os dois na solidão, a não ser que outra vida se junte a mim! Outra vida sem ser a minha ou que outra alma se junte à minha vida. Tudo é possível mas inesperado. Mesmo podendo ser salvo por outra vida, não conseguiria viver sem a minha. A outra vida matar-me-ia sem que eu tivesse tempo para chamar bem alto pela minha própria vida.

Apesar de tudo sinto-me culpado e ao mesmo tempo inocentemente réu de toda a minha sensatez insensata que se manifesta com vontade própria sem que eu tenha poder para a controlar. Foi eu que causei isto! Terei eu forças para me unir novamente à minha vida?

Mas a que vida me refiro? À minha? Sim! Já tive tantas, mas mesmo assim vivo aqui sozinho e elas continuam sem mim. Porque é que eu não as agarrei? Talvez essas minhas vidas não me pertencessem. Será que esta pertence?

Pertencerá com certeza, se o que sentir por ela for amor! Se for apenas amizade, ela deixar-me-á mais uma vez sozinho. Apesar de estarmos sempre juntos para toda a eternidade, por que um dia…já fomos um do outro! Já!

Dedicado a ela e a TI!